Carta de Tânia Kammer
São Paulo, 11 de junho de 2008.
Queridos amigos:
Acabo de chegar do Incor. Deixei a Alzira na casa dela e vi descansar, depois de uma tarde e noite cheia de emoções e muita movimentação. Graças ao nosso Deus, Pr Oliveira recebeu o pulmão (abaixo dou os detalhes) e, segundo Dr Paulo Peggo, o cirurgião, a cirurgia foi um sucesso, mas o pós-operatório é tão complicado ou até mais do que a cirurgia, portanto, continuemos em oração.
Deus é muito bom! A gente nunca pode deixar de render honras e louvores ao Seu nome!
Ele prepara todas as coisas! Sei que depois a Alzira vai escrever sobre isso, mas como sei que ela está repetindo esta história a cada 10 segundos, tomei a liberdade de escrever.
Hoje, dia 10 de junho (ou melhor, ontem, pois já são 2h da manhã de 11 de junho) o Pr Oliveira acordou um pouco mais tarde e não quis tomar café da manhã. Apenas comeu uma fruta. Quando se aproximava a hora do almoço, disse pra Alzira que não queria almoçar, que não estava com fome e sugeriu que fosse até a Livraria Cultura (uma grande livraria na Av. Paulista) e que almoçassem por lá.
Quando estavam para sair, tocou o telefone: era do Incor, em uma primeira sondagem para saber se o Pr Oliveira estava bem, se não estava gripado, etc. A Alzira logo desconfiou que pudesse ser o pulmão que estava chegando. Naquele primeiro momento, eles não garantiram nada, só disseram que ligariam em 15 minutos.
Passados os 15 minutos, disseram que realmente havia um pulmão na cidade de Campinas, mas que não tinham certeza se era totalmente compatível, mas que mesmo assim, eles deveriam ir imediatamente para o Hospital.
Aí já bemos a providência divina, pois como ele estava praticamente em jejum, isso facilitaria uma iminente cirurgia.
Eles foram ao Incor e começaram todos os procedimentos de internação e exames pré-operatórios, mas não havia qualquer certeza sobre a cirurgia e tampouco se o pulmão seria destinado para ele mesmo.
Depois, os médicos informaram que o pulmão era do tipo O+. O Pr Oliveira tem sangue A+, logo o pulmão seria compatível. Eles disseram que percorreram toda a lista de espera do tipo O+ e o pulmão não se enquadrava em nennhum perfil. Depois começaram a percorrer a lista A+, onde o Pr Oliveira ocupava o 12o lugar. Um a um, todos foram sendo eliminados por um ou outro motivo. Até que finalmente eles chegaram à conclusão que tanto a medida, quanto todas as outras características eram todas absolutamente compatíveis com o Pr Oliveira. Assim, por volta das 18h decidiram que ele seria o receptor. Foi só neste momento que a Alzira ligou para os filhos e para a igreja e pediu que eu avisasse os amigos.
Eu pude estar presente em todos esses momentos porque o meu celular ficava na lista do Incor como uma referencia em SP. Eles ligaram primeiro para Alzira e depois que ela já estava no Hospital, por algum motivo eles não sabiam em que setor ela estava e ligaram no meu celular (que é de SP) pensando ser o da Alzira. Quando atendi e alguém do outro lado disse: “Alzira…” eu matei a charada na mesma hora e respondi “Sônia?” (que é o nome da secretária da divisão de transplante do Incor) e corri para o Incor para estar ao lado da Alzira e do Pr Oliveira.
Entre o momento da decisão tomada pela equipe médica e a descida ao centro cirúrgico foram apenas 15 ou 20 minutos, onde tão somente o Pr Oliveira falou com os filhos e pudemos orar (Alzira, Pr Oliveira e eu). Sua oração foi comovente e cheia de fervor: “Senhor, estou nas suas mãos e sei que este momento é fruto da oração dos meus irmãos espalhados por todo o Brasil”.
As horas que se seguiram pareceram minutos, pois das 18h00 até agora pouco, tanto o celular da Alzira quanto o do Pr Oliveira e o meu não pararam de tocar. Pessoas de todo o país ligavam e não havia mãos ou ouvidos suficientes para atender tantas ligações ao mesmo tempo.
Muitas pessoas também chegaram até o Incor e ali permaneceram até o resultado final.
Por volta das 23h40, uma enfermeira entrou na sala de visitas (onde aguardávamos notícias do centro cirúrgico) e pediu que dois familiares descessem até o Centro Cirúrgico para falar com o médico.
Alzira desceu e eu a acompanhei e pude ouvir da boca do cirurgião que a operação havia sido um sucesso. Segundo ele, do ponto de vista mecânico, o novo pulmão (foi transplantado apenas um, o do lado esquerdo) “caiu como uma luva” e tão logo foi colocado na corrente sanguínea do Pr Oliveira, já começou a funcionar normalmente, sem qualquer intercorrência! Louvado seja Deus!
Agora, continuemos em oração, pois a jornada ainda é longa. Serão pelo menos 7 dias de UTI e muitos dias de internação. O maior perigo agora é a possibilidade de rejeição e contaminação.
Sei que muitos vão querer visitá-lo, e sei que uma pessoa querida como ele, fica muito difícil se evitar que isso aconteça. Sei que a Alzira não vai nunca falar o que eu vou falar, mas me sinto na liberdade de fazê-lo.
Um transplante é uma cirurgia super invasiva e os riscos pós operatórios muito altos. O médico disse, inclusive, que amanhã dificilmente alguém poderá visitá-lo. Até mesmo o acesso para esposa e filhos é negado nas primeiras 24 horas. Depois, as visitas na UTI devem ser absolutamente criteriosas.
Quando ele for para o quarto os perigos ficam muito maiores, assim é preciso muito cuidado! Qualquer vírus, bactéria, etc. podem trazer perigo de infecção.
Bem! Agora vou dormir grata ao Senhor por tudo o que Ele já fez e ainda fará!
Beijos a todos,
Com carinho.
Tânia Kammer